segunda-feira, 23 de julho de 2012

De Amparo para Cravinhos, a família cresce e se estabelece

Seguia a vida de Sebastiana e João de Aguirre Camargo. Casados e com o primeiro filho nascido – Francisco – logo conhecido como Chiquito ­­– moravam em Amparo, no interior paulista. Ali, João administrava uma fazenda de café. Nasceram na mesma casa os outros dois filhos – José, mais conhecido como Zuza e Odila, a primeira ruivinha da família. Todos de olhos claros, usufruíam de conforto na grande casa, com empregados e criadas para cuidar dos pequenos. Então, João recebeu uma proposta para administrar uma fazenda na região de Cravinhos. A mudança foi aceita logo, pois a ideia de ficar mais perto de Ribeirão Preto e dos parentes agradou os dois. E lá se foram de trem para uma das regiões que estava gerando riqueza tanto para brasileiros quanto  para estrangeiros, em sua maioria ingleses, que vinham para cá investir neste grão verde que, em boas colheitas, transformava tudo em riqueza. Ali, na fazenda Tibiriçá, nasceram os demais filhos – João, Maximiniano, Maria Odete – que faleceu com meses ­– Odette, Olga, Rui, Carlos e Orlando.
Família grande, a mesa era sempre para 12 – quando não recebiam parentes ou amigos. Como em toda família, alguns eram mais tímidos, outros extrovertidos. Mas havia uma que marcou a vida tanto dos irmãos e irmãs, quanto dos sobrinhos, primos e muitos amigos. Menina falante (como as irmãs), Odette era uma autêntica leonina – ou seja, onde ela estava, criava alegria e, às vezes, confusão!  E é esta menina, depois mulher que contará muitas histórias neste livro como quando o automóvel comprado pelo pai chegou na fazenda.... Mas isto é outro capítulo! Na foto, Odette com oito meses e Namá (apelido do Maximiliano) com dois anos na casa de sua avó Luiza, em Ribeirão Preto.



quarta-feira, 11 de julho de 2012

A vida dos Mierzwa no Paraná


A chegada ao Brasil trouxe para José e Catarina mais saudades da distante Polônia, mas eles estavam animados com a vida nova. Afinal, como tantos outros poloneses que aportavam no País na mesma época, puderam ter seu pedaço de terra, comprado em prestações dentro do programa do governo brasileiro para estimular a imigração europeia. O destino final da viagem foi nos arredores de Curitiba, onde hoje é o conhecido bairro de Santa Felicidade. Para ali, no final dos anos 1800 e início dos 1900, se dirigiam os imigrantes de vários países. Muitas araucárias, poucas ruas de terra onde se ouvia alemão, polonês, italiano. Para os que moravam em Curitiba, aquele lugar ficou conhecido como colônia. Ali foi erguida a igreja que lembrava a terra distante, com entalhes em madeira. Fazer a certidão de nascimento dos filhos era tarefa nem sempre fácil, o que acabava gerando confusão nas datas. José e Catarina seguiram suas vidas, plantando, colhendo e vendendo os legumes, principalmente batatas – ingrediente preferido dos pratos poloneses.
- A melhor batata não é a maior. Escolha sempre as batatas médias para ter um bom prato, ensinava Catarina para suas filhas Gertrude, Marta e Veronica. Com José, os filhos Valentim, João, Francisco, Alexandre e Pedro aprendiam a lida do campo. O caçula Ignacio bem que tentou entender como era este trabalho na terra, mas não o atraía de jeito algum. Gostava de saber mais, de ler. Então, seus pais tomaram a decisão que mudaria no futuro a vida de várias pessoas. Ignácio foi estudar com os padres poloneses na colônia e depois aos 12 anos, em Curitiba, no Colégio Henrique Sienkiewicz, onde era pensionista da instituição mantida pela Missão de São Vicente de Paula.  Ali, ele chegou a ler todos os livros da biblioteca, em polonês ou português  – mais de três mil! – e mantinha conversas com os professores e com os padres, sempre ouvindo com atenção
, calado.  Assim se passaram os anos da juventude daquele tímido rapaz de olhos claros.  



Na foto, Ignacio é o terceiro, da esquerda para a direita, na segunda fila.