domingo, 13 de abril de 2014

Vidas novas

A igreja de São José, no bairro Jardins, em São Paulo, estava lotada. Amigos, familiares, colegas de trabalho. Todos ali para celebrar o casamento de Vera Cecília e Enrico. Era 30 de novembro de 1968, e Vera ainda vivia um tempo de tristeza pela morte da irmã Toy, sua companheira de toda vida. Mas a data já estava marcada há algum tempo e não fazia sentido, segundo Enrico, adiar o que iria acontecer mesmo. Sempre prático e organizado, deve ter ficado nervoso na hora das alianças, ele esqueceu – seu irmão Gianpaolo tinha ido até a casa deles, mas não chegava e a cerimônia avançava... Então, não teve jeito. Os primos dos grandes amigos Eli e Keila, emprestaram suas alianças, que serviram perfeitamente!
Depois, foi a festa na casa de Dino e Anna Maria Rastelli, na Av. Pavão, de onde ela e Enrico saíram para ir para o aeroporto de Congonhas. Alias, naquela época, todo mundo levava os noivos para o aeroporto – era um programa que fazia parte do casamento! Eles foram para o Rio de Janeiro – cidade que sempre esteve na mira da família – pelo menos na mira da Odette, que adorava o Rio e ali viria residir décadas mais tarde.
Ao mesmo tempo, mudamos para o Brooklin Velho, na R. João Paes, onde o Peter e o Christian foram morar conosco. Vera e Enrico moravam na Av. São Gabriel e ela trabalhava na então Ciba Geigy, que ficava também no Brooklin. Na hora do almoço, aproveitava para ver a gente e curtir o sobrinho. Assim foi até 1970, durante a sua primeira gravidez. Mas antes um acontecimento trágico abalou toda a família. Toy havia nos deixado em 12 de outubro de 1968, seis meses depois os pais de Enrico tiveram um acidente de carro e a sogra da Vera faleceu. Foi uma tristeza muito grande para Vera pois sua sogra havia ajudado com todo enxoval, tinha ficado muito amiga dela e agora ela se sentia só com os quatro homens desta família.
Depois veio a viagem de Enrico e Vera em setembro e outubro de 1969 para a Vera conhecer a Itália e outros países da Europa... Foi para ela um mundo a descobrir e voltou encantada. Já falava italiano e voltou ainda mais feliz em conhecer a família de Enrico. Infelizmente quando estavam em Roma, o avô de Enrico faleceu. Foi um período difícil para ela, atenuado com a esperada gravidez.
Muitos na família temiam que acontecesse com a Vera o mesmo que havia ocorrido com a Toy. Mas, em 25 de novembro de 1970 chega à família uma bela menina com cabelos pretos. Odette e Ignacio foram para a maternidade assim que avisados. Ao chegar e ver o Enrico, Odette começou a chorar. Ele a abraçou e disse:
- Está tudo bem, dona Odette. Foi cesárea e elas estão bem.
Odette entrou no quarto florido e abraçou a filha:
- Ah Verinha, Deus te deu uma menininha!
- É, mãe. Ela vai se chamar Annamaria e o Enrico ficou tão contente!
Annamaria iniciou sua vida na família, fazendo companhia ao primo Christian em muitas idas à casa dos avós, em aniversários e em brincadeiras. Foi paparicada como neta única por dois anos. Então, chegou mais uma ruiva na família... Mas este capítulo fica para a próxima!  
Ignacio e Odette com Annamaria e Christian no jardim da casa de Dino Rastelli.