terça-feira, 19 de novembro de 2013

1967, o início de uma nova vida

Os preparativos para o casamento da primeira Miessva começavam a tomar forma, enquanto a rotina seguia na família, dividida entre o trabalho, estudo e lazer. No Clube Pinheiros, Vera continuava jogando tênis com Enrico e aprontando ‘travessuras’, como quando no baile de Aleluia, se disfarçou de ‘nega maluca’. A ruiva mais velha da casa, de olhos azuis, passou pasta preta no rosto e pescoço,  vestiu meias e luvas pretas, colocou uma peruca de lã preta e foi achando que não seria reconhecida! Enrico, fantasiado de homem da caverna, no meio do baile a encontrou no meio de tanta gente – e ainda disse:
- Veruska, como você achou que não ia reconhecer você?!?
Naquele ano de 1967, Vera também ficou noiva em um jantar que reuniu as famílias Miessva e Rastelli. Annamaria Rastelli tornou-se amiga de Odete, e Ignácio e Dino costumavam conversar nos almoços de família.
A organização do casamento da Toy com Peter acabou envolvendo amigos e parentes.  O casamento aconteceria na Igreja do Perpétuo Socorro. Odette e a amiga Jamile (que costurava com Odette) compraram o tecido para o vestido, mas a Toy queria uma cauda. Por sorte, uma amiga da Jamile estava vendendo o vestido de noiva com um cauda toda bordada a mão. Definida a grinalda, ela escolheu ter um véu franzido cobrindo também a cauda. A gola era toda bordada e luvas brancas foram compradas para completar o arranjo.
Os vestidos das irmãs Vera, Rosely e Lena foram feitos também por Odette e Jamile. Verde para Vera, azul para Rosely e cor de rosa para Lena. Tudo em tecido brocados ou cetim, feitos com carinho e capricho. 
Então, foi a vez do ensaio em um dos sábados que antecederam o casamento. A amiga Celina orientou Ignácio e Toy:
- Devagarinho, sr. Inácio. Pé compassado, pé compassado.
Max, que chegou naquele momento em uma de suas visitas às primas, ficou emocionado ao ver a Toy tão compenetrada.
A festa foi organizada na casa da Rua João Lourenço. Os quartos se transformaram em salas – a sala dos presentes, a do bolo - o jardim de inverno e todo o quintal foram abertos para receber as 200 pessoas.
O casamento civil também aconteceu naquela casa, e entre os padrinhos, estavam Vera e Enrico.
E chegou o grande dia – 7 de julho de 1967.
No altar, ao lado de Odette, os amigos Ligia e Milton. Ela entrou na igreja lotada pontualmente às 8 horas da noite, como lembra Odette:
- Eu estava nervosa e ao ver a Toy com Ignácio, fiquei mais ainda! E então, em um relance, ao olhar para todos que ali estavam, vi atrás de uma das pilastras, o Eduardinho chorando. Aquele rapaz tinha sido namorado dela por alguns anos e me deu uma tristeza ao ver alguém lamentando um amor frustrado.

Ela continua lembrando: 
 - Depois da festa, acompanhamos a Toy e o Peter para o aeroporto – eles iam passar a lua de mel no Rio de Janeiro. Ao se despedir ela chorava muito e eu disse: Mas, Toy, você vai passear com o Peter, em lua de mel, vai se divertir muito, minha filha!

Quando o avião decolou, eu senti um arrepio de frio, não passei bem – foi como se tivesse uma intuição que algo iria mudar – e muito  - em nossas vidas! 







E sempre vale a pena recordar o momento das quatro irmãs juntas!