segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Casamento de faz de conta


Entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1960, a casa da Av. Santo Amaro, 347 marcou a vida de muitas pessoas na família e de amigos. Era um tempo em que as carnes e os frios eram comprados na Casa Prata, os pães na padaria do sr. Gonçalves que era na esquina, secos e molhados no português. As pessoas andavam pela avenida – hoje totalmente irreconhecível – para passear e fazer compras nas poucas lojas que haviam. No inicio de 1957, surgiria um supermercado na Rua Joaquim Floriano – o Peg Pag.
Foi também um tempo de muitas mudanças. Tempo em que Vera foi morar alguns meses com seus avós em Garça, quando tinha seis anos. Anos depois, Antonia Maria – que ficou conhecida como Toy – iria para o colégio interno também em Garça, de freiras alemãs – o Ginásio Santo Antonio. No ano seguinte, seria a vez da Vera Cecília ir também. E as duas viveriam naquele internato histórias divertidas e outras nem tanto. Como quando Toy tomou cerveja de todas as colegas (foi servido um copo para cada menina experimentar mas como nenhuma gostou, a Toy foi bebendo os copos das amigas) e fez um discurso em seu aniversário no alto de uma mesa. Ou quando Vera colocou talco dentro da blusa e quando a freira chegou, ela bateu no peito e o talco voou para tudo quanto é lado! Tempo em que as cartas trocadas entre a mãe e as meninas eram lidas antes pela madre Sofia, superiora do colégio, que sempre acrescentava um comentário.
Na casa da Avenida Santo Amaro, foram abrigados sobrinhos, sobrinhas, cunhadas, cunhados, que ali viveram por meses, em períodos diferentes. Esta sempre foi uma premissas da família Miessva – se um parente ou um amigo necessitava de abrigo por um tempo, Ignacio ou Odette ofereciam um canto e todo mundo se ajeitava.
E o padre estava de penoir?
Em uma destas vezes, Rui e Tibi foram morar ali com o filho mais velho Tuta, e logo depois se mudaram para Perus, onde nasceria Ricardo – conhecido como Gracinha ou Graça. Também ali moraram Namá e Lucila, com o filho Max. E os encontros em família eram divertidos ou então com algumas brigas, pois Odette, ainda que fosse divertida, solidária e prestativa, também era brava e às vezes não era fácil conviver com ela... Mas sempre havia movimento, alegria e diversão. Como quando Namá, sempre brincalhão, vestiu um penoir   preto de Odete para ser o padre e montou um altar na garagem com alguns móveis e disse que iria fazer o casamento do Tuta e Rosely, primos que sempre brincavam juntos e que tinham cerca de seis anos. Tuta entrou e ficou esperando Rosely que entrou de noiva, com um buque pequeno de flores. Todos cantaram a marcha nupcial e o Namá, depois do sermão tradicional de um padre, sorriu e disse: “Então vocês estão casados, parabéns!” Em seguida, foi feito um lanche para todos. No final da tarde, depois de Namá e Lucila irem embora, foi a vez de Ruy, Tibi e Tuta se despedirem. E o Tuta, sério, virou para os pais e tios e disse que a Rosely também iria: “afinal, ela é minha mulher, eu casei com ela!” E começou a chorar, seguido pela Rosely. E ele continua enfatizando: “meu pai mora com minha mãe, tio Namá com tia Lucia, eu casei com a Rosely, tenho que levar ela para mim”. Os pais conversaram e acharam que seria melhor levar a Rosely para ficar uns dias em Perus, onde eles moravam. Mas, como eram pequenos, Rosely ficou chorando na casa dos tios e eles tiveram que devolver a noiva!