Entre o final dos anos 1940 e início dos anos
1960, a casa da Av. Santo Amaro, 347 marcou a vida de muitas pessoas na família
e de amigos. Era um tempo em que as carnes e os frios eram comprados
na Casa Prata,
os pães na padaria do sr. Gonçalves que era na esquina, secos e molhados no
português. As pessoas andavam pela avenida – hoje totalmente
irreconhecível – para passear e fazer compras nas poucas lojas que haviam. No
inicio de 1957, surgiria um supermercado na Rua Joaquim Floriano – o Peg Pag.
Foi também um tempo de muitas mudanças. Tempo em
que Vera foi morar alguns meses com seus avós em Garça, quando tinha seis anos.
Anos depois, Antonia Maria – que ficou conhecida como Toy – iria para o colégio
interno também em Garça, de freiras alemãs – o Ginásio Santo Antonio. No ano
seguinte, seria a vez da Vera Cecília ir também. E as duas viveriam naquele
internato histórias divertidas e outras nem tanto. Como quando Toy tomou
cerveja de todas as colegas (foi servido um copo para cada menina experimentar
mas como nenhuma gostou, a Toy foi bebendo os copos das amigas) e fez um
discurso em seu aniversário no alto de uma mesa. Ou quando Vera colocou talco
dentro da blusa e quando a freira chegou, ela bateu no peito e o talco voou
para tudo quanto é lado! Tempo em que as cartas trocadas entre a mãe e as
meninas eram lidas antes pela madre Sofia, superiora do colégio, que sempre
acrescentava um comentário.
Na casa da Avenida Santo Amaro, foram abrigados
sobrinhos, sobrinhas, cunhadas, cunhados, que ali viveram por meses, em
períodos diferentes. Esta sempre foi uma premissas da família Miessva – se um
parente ou um amigo necessitava de abrigo por um tempo, Ignacio ou Odette
ofereciam um canto e todo mundo se ajeitava.
E o padre estava de penoir?
Em uma destas vezes, Rui e Tibi foram morar ali
com o filho mais velho Tuta, e logo depois se mudaram para Perus, onde nasceria
Ricardo – conhecido como Gracinha ou Graça. Também ali moraram Namá e Lucila,
com o filho Max. E os encontros em família eram divertidos ou então com algumas
brigas, pois Odette, ainda que fosse divertida, solidária e prestativa, também
era brava e às vezes não era fácil conviver com ela... Mas sempre havia
movimento, alegria e diversão. Como quando Namá, sempre brincalhão, vestiu um penoir
preto de Odete para ser o padre e montou um altar na garagem com alguns
móveis e disse que iria fazer o casamento do Tuta e Rosely, primos que sempre
brincavam juntos e que tinham cerca de seis anos. Tuta entrou e ficou esperando
Rosely que entrou de noiva, com um buque pequeno de flores. Todos cantaram a
marcha nupcial e o Namá, depois do sermão tradicional de um padre, sorriu e
disse: “Então vocês estão casados, parabéns!” Em seguida, foi feito um lanche
para todos. No final da tarde, depois de Namá e Lucila irem embora, foi a vez
de Ruy, Tibi e Tuta se despedirem. E o Tuta, sério, virou para os pais e tios e
disse que a Rosely também iria: “afinal, ela é minha mulher, eu casei com ela!”
E começou a chorar, seguido pela Rosely. E ele continua enfatizando: “meu pai
mora com minha mãe, tio Namá com tia Lucia, eu casei com a Rosely, tenho que
levar ela para mim”. Os pais conversaram e acharam que seria melhor levar a Rosely para ficar uns dias em Perus,
onde eles moravam. Mas, como eram pequenos, Rosely ficou chorando na casa dos
tios e eles tiveram que devolver a noiva!
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