sábado, 16 de março de 2013

A chegada de Helena


A família parecia completa. Três lindas meninas. Uma casa movimentada, sempre recebendo visitas de familiares que ainda moravam em Garça. Mas logo, logo isto iria mudar. Em dezembro de 1955, o Ano Novo foi celebrado na casa de Rui e Tibi, que já moravam em Perus, cidade perto de S. Paulo, onde Rui era o responsável pela fábrica de cimentos ali instalada. Era uma gostosa casa que tinha enorme quintal, horta com grande variedade de legumes e verduras, área coberta para festas e churrascos, um local para patos, coelhos e alguns cachorros. Na festa que tinha os deliciosos pratos que Tibi preparava com prazer – e um pouquinho de pimenta, como boa baiana – Odette comentou com a cunhada e dona da casa:
Tibi, eu estou grávida.
– Não está, não. Você está tomando muito vinho.
Então, Odete ligou para sua mãe, em Garça e comentou que estava grávida, ao que a mãe, na mesma hora respondeu:
- Ah, você bebeu demais, minha filha. Não é para beber tanto assim no reveillon!
E as duas riram.
Na semana seguinte, ela foi a médico, dr. Barbosa, que ao vê-la entrar no consultório, olhou firme e afirmou, rindo:
– Odette, você está grávida! E te digo, se for mais uma menina, é minha! Você tem três, e eu não tenho. Se for uma menina. Será minha e de minha mulher.
Como bom amigo, além de médico, alertou para o fato de ela estar com quase 40 anos e que aquele parto seria considerado de risco.  Ela seguiu as instruções direito, tomou vitaminas e engordou apenas o peso do futuro bebe.
Como as duas filhas mais velhas estudavam no colégio interno em Garça, Ignacio, Odette e Rosely aproveitaram a Páscoa para visitar seus pais. Como sua mãe não estava bem, a família tinha decidido que iriam se mudar para São Paulo – onde a maioria dos filhos já estavam. O bairro escolhido foi a Vila Nova Conceição, perto da casa de Ignacio e Odette. A mudança foi feita e a casa arrumada com tudo novo para recebê-los e ao filho Joãozinho, que ainda morava com eles. Tudo preparado para uma nova etapa de vida, em que receberiam atenção, carinho e cuidados daqueles de quem cuidaram todas as suas vidas.
O feriado de 7 de setembro se aproximava e Odette sentiu as dores na véspera. Como em outras vezes, sua cunhada Elza lhe acompanhou ao hospital e Ignacio ficou em casa com Rosely. As 20h15 de 6 de setembro, nasce a última menina da família – Maria Helena. Recebe o nome de Helena em homenagem à sua futura madrinha – Helena Jardim Mattos, amiga e vizinha. Como bebê, era a atração dos primos e primas que se divertiam em dar banho e arrumar aquela menina que nasceu quase sem cabelo. Tinha grandes olhos claros, como as irmãs. Era chamada em casa por Lelena e depois, desde sua infância, entre amigos, ficou conhecida como Lena. E sua chegada nesta história vai trazer algumas transformações. Aguardem... 

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