A família parecia completa. Três lindas meninas. Uma casa movimentada,
sempre recebendo visitas de familiares que ainda moravam em Garça. Mas logo,
logo isto iria mudar. Em dezembro de 1955, o Ano Novo foi celebrado na casa de
Rui e Tibi, que já moravam em Perus, cidade perto de S. Paulo, onde Rui era o responsável
pela fábrica de cimentos ali instalada. Era uma gostosa casa que tinha enorme quintal,
horta com grande variedade de legumes e verduras, área coberta para festas e
churrascos, um local para patos, coelhos e alguns cachorros. Na festa que tinha
os deliciosos pratos que Tibi preparava com prazer – e um pouquinho de pimenta,
como boa baiana – Odette comentou com a cunhada e dona da casa:
– Tibi,
eu estou grávida.
– Não
está, não. Você está tomando muito vinho.
Então,
Odete ligou para sua mãe, em Garça e comentou que estava grávida, ao que a mãe,
na mesma hora respondeu:
- Ah,
você bebeu demais, minha filha. Não é para beber tanto assim no reveillon!
E
as duas riram.
Na
semana seguinte, ela foi a médico, dr. Barbosa, que ao vê-la entrar no
consultório, olhou firme e afirmou, rindo:
–
Odette, você está grávida! E te digo, se for mais uma menina, é minha! Você tem
três, e eu não tenho. Se for uma menina. Será minha e de minha mulher.
Como
bom amigo, além de médico, alertou para o fato de ela estar com quase 40 anos e
que aquele parto seria considerado de risco.
Ela seguiu as instruções direito, tomou vitaminas e engordou apenas o
peso do futuro bebe.
Como
as duas filhas mais velhas estudavam no colégio interno em Garça, Ignacio,
Odette e Rosely aproveitaram a Páscoa para visitar seus pais. Como sua mãe não
estava bem, a família tinha decidido que iriam se mudar para São Paulo – onde a
maioria dos filhos já estavam. O bairro escolhido foi a Vila Nova Conceição, perto
da casa de Ignacio e Odette. A mudança foi feita e a casa arrumada com tudo
novo para recebê-los e ao filho Joãozinho, que ainda morava com eles. Tudo preparado
para uma nova etapa de vida, em que receberiam atenção, carinho e cuidados
daqueles de quem cuidaram todas as suas vidas.
O
feriado de 7 de setembro se aproximava e Odette sentiu as dores na véspera. Como
em outras vezes, sua cunhada Elza lhe acompanhou ao hospital e Ignacio ficou em
casa com Rosely. As 20h15 de 6 de setembro, nasce a última menina da família –
Maria Helena. Recebe o nome de Helena em homenagem à sua futura madrinha – Helena
Jardim Mattos, amiga e vizinha. Como bebê, era a atração dos primos e primas
que se divertiam em dar banho e arrumar aquela menina que nasceu quase sem
cabelo. Tinha grandes olhos claros, como as irmãs. Era chamada em casa por Lelena
e depois, desde sua infância, entre amigos, ficou conhecida como Lena. E sua
chegada nesta história vai trazer algumas transformações. Aguardem...
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