Em dezembro de 1967, Ignacio e Odette completaram 25 anos de casados, com
uma missa na Igreja São Dimas na Vila Nova Conceição. Depois,
houve o almoço para as filhas na casa da Toy e do Peter, no Brooklin, na R. Pascoal
Paes. Lena, a caçula, tinha escrito algo para homenagear os pais e, neste dia,
Odette recebe do marido um longo texto lembrando a trajetória desde que se
conheceram, quando ela ainda era adolescente.
Ainda no mesmo mês daquele ano, certa tarde, Odette recebe a visita da
Toy no escritório da Av. Santo Amaro, onde trabalhava todas as tardes. Ela
chega sorrindo, com dois picolés – uma para a mãe e outro para ela, abraça Odette
e começa uma conversa animada:
- Mãe, eu tenho a melhor notícia que a senhora poderia ter na
vida!
- Ora, Toy, o que é?
- A senhora vai ganhar o neto
que tanto queria!
- Ah, Toy, que bom!!! Mas, você está
bem?
- Sim, eu estou ótima! Eu fui ao
médico e está tudo bem. O Peter
está contente, a dna. Isolde também. E eu estou muito contente, mamãe.
- Então, você vai fazer tudo o que
o médico mandar, está bem?
- Pode deixar comigo, que eu vou me
cuidar.
E os meses
passaram... Não havia ultrassom, não se sabia o sexo da criança e a expectativa
era que chegasse um menino em uma casa com tantas mulheres. Um dia, Toy foi ao escritório com um vestido de grávida
bem curtinho. E, claro, Odette não poderia deixar passar em branco!
- Toy, como
você está indecente, usando este vestido curto, roxo, e grávida! Não combina!
- Mamãe,
você está muito fora de época! Agora, as grávidas usam estes vestidos soltos e
curtos.
- Quero ver
isto no inverno!
- Aí vamos
pensar.
Junho chegou
com frio e a Toy continuou com bom humor, sem enjoo. Trabalhou na Kibon até o
final da gravidez. A escolha do enxoval também teve a participação da Odette, ‘intimada’
pela filha mais velha. Foram em uma loja na Av. Santo Amaro e escolheram
rendinhas para a manta que seria amarela e teria bordados, e as camisinhas vestidas pelas crianças em uma época em que os macacões infantis ainda não tinham surgido.
Em outra tarde, ela ligou para a mãe e comentou que teve um sonho e que seu filho se chamaria Christian. Peter, sempre brincalhão,
dizia que o filho ia se chamar xaxim (sempre ligado em orquídeas!). Quando ela foi
comprar o carrinho e o berço, pediu novamente a ajuda da Odette, que respondeu
de bate e pronto:
-
Olha, Toy, se você está pensando que eu vou
ajudar a criar o seu filho, você está enganada!
Na loja, rindo, ela pediu para o
vendedor ensinar a mãe a lidar com o carrinho azul, como se suspendia a capota
dele e como se devia regular a altura do berço.
Em casa, Idalina, que tinha chegado para trabalhar ali um tempo antes, ajudava a cuidar de tudo. Ela ficaria com a família
até se casar, conquistando um lugar especial na vida de todos.
Para celebrar um ano de casamento,
Toy estava preparando uma festinha, mas não deu tempo. Na manhã do dia 7 de
julho – exatamente um ano após o seu casamento, tocou o telefone e Inácio atendeu. Rápido, acordou sua mulher:
-
Odette, levanta, que a Toy já está no hospital
com o Peter.
Os pais foram para o Hospital São
Luiz, ali perto, e ela já estava na sala de parto. Peter estava sozinho na sala
de espera e explicou logo que estava tudo correndo bem. Então, depois de um certo tempo (que pareceu muito para eles) entrou a enfermeira, dando a notícia: é um menino!
Odette começou a chorar e o Peter a
abraçou, sorrindo e dizendo:
-
Fique contente, o Christian chegou!
Depois das visitas das irmãs e do
tempo recomendado pelo médico, Toy teve alta e foi para sua casa com Christian. Uma semana
depois, começou a ter febre alta e precisou ir para a nossa casa. Uma noite, teve uma
forte crise de frio e febre muito alta. A ambulância foi chamada e ela foi para
o Hospital São Luiz. Ali, depois de vários exames, o médico chamou o Peter e disse que o problema era grave. Os
dias foram passando, com mais exames, médicos e visitas de todos da família. Certa
tarde, Odette levou o Christian para Toy vê-lo. Na saída, um enfermeiro se
aproximou dela e disse sério:
-
Dna, Odette, a senhora conta com a gente.
Nesta hora, a mãe teve a certeza que
a situação da saúde da filha mais velha era mesmo muito grave.