quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Chegada celebrada para dar força

Em dezembro de 1967, Ignacio e Odette completaram 25 anos de casados, com uma missa na Igreja São Dimas na Vila Nova Conceição. Depois, houve o almoço para as filhas na casa da Toy e do Peter, no Brooklin, na R. Pascoal Paes. Lena, a caçula, tinha escrito algo para homenagear os pais e, neste dia, Odette recebe do marido um longo texto lembrando a trajetória desde que se conheceram, quando ela ainda era adolescente.
Ainda no mesmo mês daquele ano, certa tarde, Odette recebe a visita da Toy no escritório da Av. Santo Amaro, onde trabalhava todas as tardes. Ela chega sorrindo, com dois picolés – uma para a mãe e outro para ela, abraça Odette e começa uma conversa animada:
- Mãe, eu tenho a melhor notícia que a senhora poderia ter na vida!
- Ora, Toy, o que é?
- A senhora vai ganhar o neto que tanto queria!
- Ah, Toy, que bom!!! Mas, você está bem?
- Sim, eu estou ótima! Eu fui ao médico e está tudo bem. O Peter está contente, a dna. Isolde também. E eu estou muito contente, mamãe.
- Então, você vai fazer tudo o que o médico mandar, está bem?
- Pode deixar comigo, que eu vou me cuidar.
E os meses passaram... Não havia ultrassom, não se sabia o sexo da criança e a expectativa era que chegasse um menino em uma casa com tantas mulheres. Um dia, Toy  foi ao escritório com um vestido de grávida bem curtinho. E, claro, Odette não poderia deixar passar em branco!
- Toy, como você está indecente, usando este vestido curto, roxo, e grávida! Não combina!
- Mamãe, você está muito fora de época! Agora, as grávidas usam estes vestidos soltos e curtos.
- Quero ver isto no inverno!
- Aí vamos pensar.
Junho chegou com frio e a Toy continuou com bom humor, sem enjoo. Trabalhou na Kibon até o final da gravidez. A escolha do enxoval também teve a participação da Odette, ‘intimada’ pela filha mais velha. Foram em uma loja na Av. Santo Amaro e escolheram rendinhas para a manta que seria amarela e teria bordados, e as camisinhas vestidas pelas crianças em uma época em que os macacões infantis ainda não tinham surgido. 
Em outra tarde, ela ligou para a mãe e comentou que teve um sonho e que seu filho se chamaria Christian. Peter, sempre brincalhão, dizia que o filho ia se chamar xaxim (sempre ligado em orquídeas!). Quando ela foi comprar o carrinho e o berço, pediu novamente a ajuda da Odette, que respondeu de bate e pronto:
-          Olha, Toy, se você está pensando que eu vou ajudar a criar o seu filho, você está enganada!  
Na loja, rindo, ela pediu para o vendedor ensinar a mãe a lidar com o carrinho azul, como se suspendia a capota dele e como se devia regular a altura do berço.
Em casa, Idalina, que tinha chegado para trabalhar ali um tempo antes, ajudava a cuidar de tudo. Ela ficaria com a família até se casar, conquistando um lugar especial na vida de todos. 
Para celebrar um ano de casamento, Toy estava preparando uma festinha, mas não deu tempo. Na manhã do dia 7 de julho – exatamente um ano após o seu casamento, tocou o telefone e Inácio atendeu. Rápido, acordou  sua mulher:
-          Odette, levanta, que a Toy já está no hospital com o Peter.
Os pais foram para o Hospital São Luiz, ali perto, e ela já estava na sala de parto. Peter estava sozinho na sala de espera e explicou logo que estava tudo correndo bem. Então, depois de um certo tempo (que pareceu muito para eles) entrou a enfermeira, dando a notícia: é um menino!
Odette começou a chorar e o Peter a abraçou, sorrindo e dizendo:
-          Fique contente, o Christian chegou!
Depois das visitas das irmãs e do tempo recomendado pelo médico, Toy teve alta e foi para sua casa com Christian. Uma semana depois, começou a ter febre alta e precisou ir para a nossa casa. Uma noite, teve uma forte crise de frio e  febre muito alta. A ambulância foi chamada e ela foi para o Hospital São Luiz. Ali, depois de vários exames, o médico chamou o Peter e disse que o problema era grave. Os dias foram passando, com mais exames, médicos e visitas de todos da família. Certa tarde, Odette levou o Christian para Toy vê-lo. Na saída, um enfermeiro se aproximou dela e disse sério:
-          Dna, Odette, a senhora conta com a gente.

Nesta hora, a mãe teve a certeza que a situação da saúde da filha mais velha era mesmo muito grave.

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