Jogos de baralho às noites, bailes no
clube Português – quando Odette e Inácio iam acompanhados pela irmã Odila – fizeram
com que eles se conhecessem melhor por dois anos. Até o dia que Inácio pede a
jovem de 26 anos em casamento a João de Aguirre Camargo. Na longa conversa que
tiveram, ele garantiu para aquele homem que
tinha uma predileção por aquela filha impetuosa:
– “Eu vou fazê-la feliz porque sei
lidar com ela. Tudo que ela gostar, eu farei”.
Casamento marcado, padrinhos
escolhidos como o Carlito – o irmão menor dela – e a irmã Odila. Inacio trabalhava na loja Casarini
– cujos donos foram seus padrinhos e presentearam os noivos com um completo aparelho
de jantar inglês – que se tornou conhecido de toda a família por muito tempo.
Odette recorda como decidiram pelo apartamento onde foram morar logo após o
casamento:
– “Inacio tinha visto vários
apartamentos e me levou para saber minha opinião, antes de alugar. Era pequeno,
mas com uma boa varanda. Aí ele perguntou se eu tinha gostado mesmo. E como não
podia gostar? Na esquina do Largo do Arouche com a rua Sebastião Pereira, com
um dormitório, boa vista, bons vizinhos. Era pequeno, mas tivemos tudo –
tapete, cortinas, cadeiras altas numa sala de jantar linda!”
A igreja Santa Cecília foi a escolhida
porque ela era devota da santa e tinha predileção por aquela igreja. Foi decorada
com muitas flores, pagas pela noiva do casamento anterior, das sete horas. Na hora marcada do casamento – às oito horas, chovia a
cântaros. Odette e seu pai chegaram no carro alugado. Arranjos de laranjeira nos
cabelos negros delicadamente presos, deixando uma parte deles soltos, segurando
o buque feito com as mesmas flores. Tudo perfeito, até que ela fica sabendo que
o noivo estava atrasado!
A madrinha de Inacio tinha molhado sua
roupa. Então, ela e o marido tinha ido para o apartamento dele, para tentar
secar o vestido da madrinha com ferro quente.
Aflita no carro, e impulsiva – ela já
queria desmarcar tudo! Seu pai pede paciência e finalmente o sentimento falou mais alto. Meia hora depois, seu
irmão Carlito corre até o carro e avisa que ela já podia entrar.
Santa
Cecília estava toda iluminada e parecia que os desenhos do teto brilhavam mais,
especialmente quando todos se levantaram e ela entrou, sorrindo e olhando para
o belo homem que estava no altar. Sua mãe não estava presente, pois tinha
ficado doente em Garça, mas aprovava – e muito – o casamento de Odette com aquele ‘estrangeiro’.
Anos depois, ela responde o que mais
chamou a sua atenção para aquele homem calado, com olhar azul profundo. Sorrindo,
lembra:
– “Primeiro, sua honestidade. Depois,
ele, ainda que fosse muito calado, procurava
sempre estar perto de mim. Tudo que eu fazia, ficava observando e sorrindo.
Tinha fascinação por mim. Aprendi muito com ele – desde a comer coisas
diferentes, como frios com frutas, até a ouvir ópera. Ele também gostava de ler,
como eu. Tivemos uma vida dificil no começo, pois sempre tinha alguém morando
conosco – o Carlito, o Orlando – mas o Inacio sempre recebia a todos com
alegria, considerando a minha família como a sua”.
Quando ela conheceu sua sogra, meses
depois de casada, entendeu ainda mais aquele homem que tinha aceitado partilhar
a vida.
Mas isto fica para o próxima capítulo
– que logo, logo chegará!