quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Santa Cecília em festa


Jogos de baralho às noites, bailes no clube Português – quando Odette e Inácio iam acompanhados pela irmã Odila – fizeram com que eles se conhecessem melhor por dois anos. Até o dia que Inácio pede a jovem de 26 anos em casamento a João de Aguirre Camargo. Na longa conversa que tiveram, ele garantiu para aquele homem que  tinha uma predileção por aquela filha impetuosa:
– “Eu vou fazê-la feliz porque sei lidar com ela. Tudo que ela gostar, eu farei”.
Casamento marcado, padrinhos escolhidos como o Carlito – o irmão menor dela  – e a irmã Odila. Inacio trabalhava na loja Casarini – cujos donos foram seus padrinhos e presentearam os noivos com um completo aparelho de jantar inglês – que se tornou conhecido de toda a família por muito tempo. Odette recorda como decidiram pelo apartamento onde foram morar logo após o casamento:
– “Inacio tinha visto vários apartamentos e me levou para saber minha opinião, antes de alugar. Era pequeno, mas com uma boa varanda. Aí ele perguntou se eu tinha gostado mesmo. E como não podia gostar? Na esquina do Largo do Arouche com a rua Sebastião Pereira, com um dormitório, boa vista, bons vizinhos. Era pequeno, mas tivemos tudo – tapete, cortinas, cadeiras altas numa sala de jantar linda!”
A igreja Santa Cecília foi a escolhida porque ela era devota da santa e tinha predileção por aquela igreja. Foi decorada com muitas flores, pagas pela noiva do casamento anterior, das sete horas. Na hora marcada do casamento – às oito horas, chovia a cântaros. Odette e seu pai chegaram no carro alugado. Arranjos de laranjeira nos cabelos negros delicadamente presos, deixando uma parte deles soltos, segurando o buque feito com as mesmas flores. Tudo perfeito, até que ela fica sabendo que o noivo estava atrasado!
A madrinha de Inacio tinha molhado sua roupa. Então, ela e o marido tinha ido para o apartamento dele, para tentar secar o vestido da madrinha com ferro quente.
Aflita no carro, e impulsiva – ela já queria desmarcar tudo! Seu pai pede paciência e finalmente o sentimento falou mais alto. Meia hora depois, seu irmão Carlito corre até o carro e avisa que ela já podia entrar.
Santa Cecília estava toda iluminada e parecia que os desenhos do teto brilhavam mais, especialmente quando todos se levantaram e ela entrou, sorrindo e olhando para o belo homem que estava no altar. Sua mãe não estava presente, pois tinha ficado doente em Garça, mas aprovava  – e muito – o casamento de Odette com aquele ‘estrangeiro’.
Anos depois, ela responde o que mais chamou a sua atenção para aquele homem calado, com olhar azul profundo. Sorrindo, lembra:
– “Primeiro, sua honestidade. Depois, ele, ainda que fosse muito calado,  procurava sempre estar perto de mim. Tudo que eu fazia, ficava observando e sorrindo. Tinha fascinação por mim. Aprendi muito com ele – desde a comer coisas diferentes, como frios com frutas, até a ouvir ópera. Ele também gostava de ler, como eu. Tivemos uma vida dificil no começo, pois sempre tinha alguém morando conosco – o Carlito, o Orlando – mas o Inacio sempre recebia a todos com alegria, considerando a minha família como a sua”.
Quando ela conheceu sua sogra, meses depois de casada, entendeu ainda mais aquele homem que tinha aceitado partilhar a vida.
Mas isto fica para o próxima capítulo – que logo, logo chegará!