No interior de São Paulo...
João de Aguirre Camargo sabia como tirar da terra o melhor
café e como administrar fazendas. Afinal, tinha nascido e crescido em uma bela
fazenda de café em Rio Claro, interior de São Paulo, onde seu pai perdeu muitos
bens com a abolição da escravidão. Afinal, os novos tempos daquele Brasil exigiam
outras atitudes dos que ocupavam a elite – nas cidades e no interior. Seus
irmãos conseguiram estudar, mas em sua vez, a família conheceu outra realidade.
O que valia mesmo era o conhecimento e isto ele tinha de sobra – sabia quando a
florada iria dar uma boa safra, sofria quando a geada queimava o que poderia
virar dinheiro. Não era muito alto, mas era garboso e seus olhos azuis chamavam
a atenção das moças nos bailes que frequentava quando ia a Ribeirão Preto. Certa
noite, viu uma moça diferente entrar no salão – com seus olhos verdes e uma
postura altiva, elegante com seu chapéu e luvas e que não olhava diretamente
ninguém. Estava acompanhada de outras moças, e – pelo que logo procurou
investigar com os amigos – Sebastiana Borges era seu nome e vinha com os Cunha
Bueno. Vencendo a sua timidez, foi até ela e pediu uma dança. Com um sorriso e
balançar de cabeça, concordou com o pedido. Rodaram pelo salão, mas João não
teve chance de falar nada. Como não era pessoa de desistir, assim que a dança
terminou, solicitou outra. E ela, que mal havia chegado ao baile, concordou
novamente com um sorriso. Sem perder tempo, João tratou de saber mais sobre
aquela moça tão alinhada e com ares de pessoa decidida. Tinha sido criada pelos
avós João e Luiza, pois sua mãe faleceu quando ela nasceu. Chamava-os de pais e
deles recebeu educação com uma visão europeia, especialmente de seu avô alemão.
Gostava mais da cidade que de fazenda, e sabia fazer de tudo um pouco – e bem
feito. Quando podia, aproveitava para ler e aprender novas receitas de doces e
bolos.
Da dança daquela noite, ele passou a frequentar a casa de
Sebastiana, em visitas regulares e pediu a sua mão em casamento. Cerimônia
simples, em Ribeirão Preto, logo mudaram-se para uma fazenda em Cravinhos,
morando em uma bela casa, com pomar e varandas. Ali, eles tinham criados e João
seguia como administrador da fazenda de café. Antes do primeiro ano de
casamento, nascia Francisco, o primeiro de seus 11 filhos e muitas histórias surgiriam
naquela família.
E breve....No sul, a chegada em novas terras
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