O
final dos anos 1950 e início dos anos 1960 não foram fáceis mesmo, mas a ajuda
dos amigos não faltou em nenhum momento. Elias e Adma, amigos desde o
início do casamento de Inácio e Odette, estiveram ao seu lado e por uma triste coincidência,
pois no mesmo dia que houve o infarto, Adma, mulher de Elias, sofreu um acidente e
precisou cortar a perna no mesmo hospital. Odette lembra que eles iam para o escritório,
saindo do hospital, e choravam ali com a amiga Lenira, irmã de Adma. Armando
foi outro amigo sempre presente, buscando orientá-la com as contas e se
colocando à disposição para o que fosse preciso – amizade cultivada desde a
mocidade de Odette, quando ele foi namorado da irmã mais velha Odila.
Em
1959, quando estava chegando o Natal, um casal americano - um dos clientes do escritório Braspar de
Contabilidade - nome dado por Inácio para seu negócio unindo as palavras Bras (de Brasil) com Par (do Paraná), foi visitar Odette. Ele chegou um pouco sem graça, mas muito
objetivo:
– Dna.
Odete, a Elisabeth mandou pedir licença para dar um presente de Natal para as
meninas e eu quero pedir autorização da senhora para mandar um presente para
sua casa.
E Odette lembra:
-
Imagina, naquele Natal, eles mandaram entregar uma cesta enorme tamanho 24 e presentes para as meninas!
As cestas de Natal eram presentes especiais naquela época – feitas de vime e com tudo o que se podia imaginar para uma ótima ceia ali era colocado, conforme o
tamanho) .
Os
dois anos seguintes foram de muito trabalho e mudanças na vida das meninas. Vera
e Toy continuaram estudando. Vera foi para o Liceu Eduardo Prado. Toy foi para o Mackenzie, onde estudou secretariado. Rosely entrava na adolescência e também foi trabalhar na loja em frente da casa Um
dos dias marcantes foi o meu aniversário de cinco anos, em 1961. As irmãs, amigas e primas
arrumaram a casa e o motivo da festa foi a Casa dos Três Porquinhos. No bolo,
Odette fez uma casinha montada com palitos de chocolate, a grama era verde e os
porquinhos do presépio de Natal deram uma graça para o bolo. Nas paredes, colocaram grandes
desenhos pintados. Na cozinha, olho de sogra, brigadeiro, muitos doces e balas, salgadinhos, tudo em um ambiente alegre de celebração.
Era
o final de uma etapa. Meses depois, nos mudávamos para a rua João
Lourenço, pois iriam derrubar as casas da Av. Santo Amaro para construir um prédio
de apartamentos.
A nova casa tinha um muro de pedras, portão de grande baixo, no fundo uma garagem enorme e dois pequenos quartos. A residência tinha três dormitórios, uma bela sala de visita com gesso em sanca no teto,
porta de vidro com cortinas brancas e uma cozinha onde havia uma mesa em que todos se encontravam no jantar para contar as novidades.
Em um quarto com janela para o jardim
ficavam eu e Rosely. Dormíamos em um beliche, eu na parte de cima. Toy e Vera ficavam no quarto que dava para o quintal
dos fundos. Papai e mamãe no quarto do meio, que dava para um pequeno jardim de
inverno. Na Vila
Nova Conceição, foram feitas boas amizades – eu logo passei a ter uma turma na rua, com muitos amigos com quem brincava na rua ou na pracinha a poucas quadras dali, perto da rua Afonso Brás.
Quando
Inácio voltou para o escritório, Odette continuou a trabalhar. Vendia enxovais
para noivas, que buscava na rua São Caetano e também costurava sob encomenda,
com a amiga Jamile que morava pertinho. Os primeiros vizinhos naquela rua foram
os Laub, que tinham filhos com as mesmas idades de Toy e Vera. Lanches eram feitos em casa e os primos e tios continuavam a visitar sempre a
família, especialmente nos finais de semana.
Então, um fato mudou a vida de todos nós, ao ficarmos sócios do Clube Pinheiros. Mas estas são outras histórias também gostosas para se lembrar!
Um beijo do seu leitor no Pará!
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