No início, quando ali
chegamos, na década de 1970, a rua não era nem asfaltada. A escuridão à noite
imperava, pois não existia a Av. Luiz Carlos Berrine – a rua Texas terminava em
uma avenida que terminava em nada e ao fundo se via a Marginal Pinheiros.
A casa que nos abrigou por
alguns anos e foi palco de minha adolescência e da infância de Christian, Annamaria
e Paola, e também os gêmeos Octávio e Beatriz ainda bem pequenos, foi alugada
quando mamãe e eu retornamos para a Vila Nova Conceição e depois quando fomos para
o Rio de Janeiro. No início dos anos 1990, com governo Collor, inflação descontrolada,
planos econômicos mirabolantes sem resultados efetivos, decidi voltar para São
Paulo e mamãe resolveu ficar no Rio de Janeiro. Para viabilizar isto, era preciso
retomar a casa dos então inquilinos, e achar um emprego na capital paulista.
Foi um tempo em que a sobrinha Annamaria mandava toda segunda-feira o caderno de
classificados do Estadão para mim pelo correio, que chegava no meio da semana,
quando eu procurava e respondia os anúncios. Ao mesmo tempo, Christian decidiu
sair da casa dos pais. Então, por que não morar juntos mais uma vez e na George
Ohm? Ele se muda para lá seis meses antes de eu conseguir o emprego na Cargill.
A mudança foi feita em dois carros, com a ajuda de Christian, Paola e de alguns
amigos dele – roupas, livros, discos e quase nada mais, parodiando uma velha
canção. Na chegada, a prima Idaicy me deu uma cama, Ana Maria (Muqui) nos deu uma
estante e mural de couro para a sala. Comprei televisão e um aparelho de vídeo (lembrando
que CD não tinha nascido...), geladeira, fogão e aos poucos fomos arrumando a
casa. Eric, primo do Chris, morou alguns meses conosco. Eduardo, amigo do Chris,
outros poucos meses. Ao desmontar o apartamento do Eric, Cristina – tia do
Chris – nos deu muita coisa e precisamos várias viagens de carro do Morumbi para
o Brooklin, feitas com entusiasmo em ver a casa tomando forma de lar.
Então, decidimos
reformar a casa – tarefa que ficou sob a responsabilidade da Vera Cecília, que ali também montou o seu atelier e onde pintou por um tempo. Christian teve o quarto que sempre sonhou – feito para o seu tamanho –
com uma cama alta, em que ele podia sentar e balançar os pés!
Ali ficamos alguns anos,
com a companhia do nosso cachorro Nero – até o Christian se casar e eu também.
Ele ainda fez mais uma mudança antes do casamento, indo morar alguns meses com
a mamãe, que já tinha voltado do Rio de Janeiro e estava também no Brooklin. A
casa ficou para ser alugada por um tempo, sem sucesso. Então, mamãe decidiu
voltar a morar novamente ali, onde convivia com antigos vizinhos e amigos.
Os anos passaram e a casa
mais uma vez teria uma mudança, para receber Annamaria, Lauro e aquela
que seria a primeira da nova geração da família – Luisa. Foi ali que ela chegou da maternidade São Luiz, no dia 7 de fevereiro de 2001. Foi ali que deu
seus primeiros passos, teve sua festa de primeiro ano e onde recebia sempre o
carinho nas visitas de todos, em especial da sua tia Paola, que também morava no Brooklin. Neste período, mamãe voltou a ficar perto de mim, morando no Morumbi, em um apartamento alugado a duas
quadras de onde eu estava.
Rua George Ohm, 290. Mais que uma casa. O lar da
nossa família.
Amei revisitar esse tempo. Já morando em São Carlos, do meu coração, a casa da George Ohm representa meu lar paterno.
ResponderExcluirMeudeeeeus Leeeeenaaaa!!! não sabia que você morou no Brooklin, por tanto tempo, na mesma idade e época em que eu morei também. Quantas dias passei com os amigos em todas essas ruas que você cita. Não é possivel que não tenhamos nos cruzado em algum momento, em algum bailinho de garagem, em alguma festa junina do Maloquinha, doo Enio Voss, do Oswaldo Aranha ou do Costa Manso. E eu achando que o que tínhamos em comum era apenas a FIAM rsrs.
ResponderExcluirLena....morei no Campo Belo desde 1970 e fiquei lá até casar 1982, minha mãe ainda mora na Gil Eanes.Quando casada morei na Vila Nova Conceição de 1984 até 1998.Avida e feita de encontros e existem vários desencontros....Mas encontros podem ser maravilhosos. Adorando seu blog.
ResponderExcluir