A chegada de Ignacio é comentada na cidade – ficando conhecido como o estrangeiro, ao falar acentuadamente algumas palavras por influência do idioma polonês. A imagem de Odette parada na varanda da fazenda para ver 'o estrangeiro' ficou na sua lembrança e é ele que conta como tudo começou: “quando surgiu a oportunidade de vê-la mais vezes, eu, mais que depressa aqueci em tomar o meu
chá das duas da tarde com a dona da casa, sra. Sebastiana. Era um chá diferente
dos outros, que tomavam as cinco. Nós conversavamos às duas da tarde e eu via
em Odette algo tenue e transparente, quase divino, mas ela permanecia distante.
Continuou indo aos bailes, sempre acompanhada pelos irmãos, e não deixava de dançar
com os outros”.
Certo dia, em Garça, Odette visitou o negócio de madeira
de Ignacio: “Foi uma imensa alegria. Vi tanta felicidade em seus olhos que não
dormi muitas noites, imaginando que tinha, talvez, chegado a grande
oportunidade. Mas ainda não era a hora”. Pouco tempo depois, retomaram o
terreno perto da serraria montada por Ignacio, o que contribuiu para a ruína do
estabelecimento e eles não se viram por mais de um ano. Já em São Paulo, em maio de 1939,
Ignacio perde seu pai e, sentindo-se só, vai procurar os amigos de Garça que
residiam em São Paulo. Ao chegar na pensão, vê Odette cuidando de Sebastiana, pois
a água fervente da caldeira tinha entornado e queimado a sua perna. Ali, ele descreveu
para ela os últimos momentos de vida de seu pai e foi consolado: “Coragem, isto
é a vida. Orarei pelo seu pai”. Dali em diante, o que já existia em seu coração
ficou mais forte.
Mais um ano se passou e certo dia, Odette passou na loja
onde ele trabalhava para dar a notícia do noivado da sua irmã Olga, como ele conta:
“Como ela sempre dizia que queria ser freira, eu em vez de apresentar parabéns pelo
evento, perguntei muito ingenuamente, quando ela iria para o convento. Foi a conta.
Ela disfarçou muito bem, mas os outros viram. A minha ajudante de conferente viu,
analisou e assim que a Odette saiu pisando firme, me disse – esta moça gosta sinceramente
de você, mas ela saiu muito zangada. O que houve? Eu contei, e ela disse: vamos
consertar isso e não há tempo a perder.
Alguns dias depois, era o dia do meu aniversário, ocasião muito propícia para mandar
uma mensagem. Então, mandei um bilhete com rosas vermelhas, simbolizando luta e
rosas brancas, simbolizando paz. Isto abriu uma pequena fresta para mim no coração dela".
Poucos meses depois, aconteceria o baile de primavera no clube que
Ignacio era sócio e como outras três amigas suas insistiram em ir, ele as convidei.
Mas no dia seguinte, foi visitar Odette e a convidou também: “Para minha surpresa, ela aceitou!
No dia seguinte, avisei as amigas que iria acompanhada de uma amiga de longa
data. Ao verem a alegria em meus olhos, elas foram muito compreensivas”.
Era 21 de setembro de 1940. Ignacio estreava um smoking
novo e Odette estava com um vestido que acentuava seus cabelos negros bem
penteados e o batom mais escuro. Na volta do baile, quando a deixou em sua
casa, aconteceu o primeiro beijo dos dois, como ele conta: “eu fiquei muito
feliz e surpreso. Seus lábios se uniram aos meus, de forma suave, como que
selando um novo percurso de nossas vidas a ser percorrido” .
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