terça-feira, 28 de agosto de 2012

A aventura em Garça e a arte do destino


A mudança de Cravinhos para Garça foi ampla, geral e irrestrita. Na época, muita gente estava indo para a região então conhecida como Alta Paulista. João foi ser administrador de uma propriedade. Seu desafio era transformar aquela mata virgem em uma fazenda de café. Primeiro ficaram em uma casa pequena enquanto aguardavam a casa maior ser construída. Para estudar, Odette e Olga atravessam quase três quilômetros de areião a pé para chegar na casa da professora dona Maria da Glória. Chiquito e Zuza já trabalhavam fora e Joãozinho ajudava o pai na fazenda. Para descobrir qual era o talento de Namá, seu pai colocou ele para aprender violino com dna. Glaucia, a primeira professora de Odette ainda em Cravinhos, onde morou com amigos da família. Em Garça, João cuidava da fazenda do coronel Carvalho de Barros, conhecida como fazenda União. Naquele tempo, para muitas crianças estudarem, tinham que morar com parentes em outras cidades. Foi o que aconteceu com Odette e Olga, que foram para a casa dos tios Zeca e Alzira, que tinham duas filhas com paralisia infantil. As quatro meninas iam todos os dias, de braços dados, para o instituto de fisioterapia dirigido por alemães, onde as primas faziam exercícios de ginástica. Naquela cidade, Odette um certo dia pintou uma paisagem com giz colorido na lousa negra e o professor ficou tão encantado que deixou ali por alguns dias.   
Na volta das meninas para Garça, mais mudanças na família Os mais velhos Chiquito, Zuza e Odila foram morar com o tio Nhonhô em São Paulo. Depois de um tempo, os pais alugaram uma casa na Bela Vista, transformando-a em pensão, dirigida por Sebastiana. Odette ficou na fazenda em Garça, e ia para São Paulo quando a mãe retornava para a fazenda, revezando ao cuidar da casa e do pai. Os passeios da adolescência eram os bailes no clube e as missas. Nesta época, um lazer favorito de Odette era a leitura. Francisco Sá, parente de seu pai, tinha uma biblioteca e emprestava livros. Ela ainda lia a revista “Eu sei tudo”, aprendendo a fazer palavras cruzadas. Costumava ir aos bailes com o irmão mais velho Joãozinho. Nesta época, Odette andava muito de cavalo e charrete. “Eu ia da fazenda até Garça de cavalo, descia na porta da padaria e não tinha quem não se admirasse do meu jeito... apenas para comprar pão!”, lembra Odette, que continua: “Sempre gostei de andar a cavalo. Papai deixava o cavalo sempre perto da porta. Ele entrava, eu saía e pegava o cavalo para passear.  
A fazenda grande do Coronel Carvalho de Barros foi então partilhada entre os filhos do Coronel e a União passou para uma de suas filhas, casada com Joaquim Salgueiro. Ela faleceu ainda moça, e o viúvo passou a tomar conta e estreitar os laços de amizade com João de Aguirre.
A última moradia dos Aguirre Camargo foi uma casa em Garça, construída por Salgueiro e doada no final de sua vida para João de Aguirre Camargo. Era um sobradão que ficava no final da Avenida Brasil. Perto da casa, estava a estação de trema da Alta Paulista. Quando alguém da família ia para São Paulo, levava uma marmita comfrango e pirão e molho para comer no caminho. Nesta casa, o Sr. Salgueiro tinha um quarto com entrada independente. Como era viúvo, jovem e bonito, costumava acelerar o coração das moças da casa, em especial de Odette.
Quando ainda estavam na fazenda e Odette tinha por volta de seus 18 anos, chega ali um rapaz alto, loiro, com sotaque parecendo estrangeiro, procurando emprego de guarda-livros. Vai falar com João de Aguirre Camargo que o emprega. Seu nome – Ignácio Miessva, que chegava do Paraná para tentar a vida naquela região.

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