A formatura de Ignacio foi celebrada em alto estilo. Depois
da noite do baile, ele saía às noites para passear com seus dois amigos mais
próximos – um deles já tinha automóvel – pelas ruas de Curitiba. Para se manter,
foi dar aulas de polonês, graças ao bom relacionamento que tinha com os padres
do Colégio onde estudou e domínio não só do polonês como de outras línguas
eslavas. Também dava aulas de matemática
e à noite concluiu um curso de ciências contábeis. Se aventurou em abrir um hotel, mas não deu certo e perdeu tudo. Durante dois a três anos, viveu em Curitiba, mas veio uma vontade de conhecer mais, de ir além das paredes do colégio
ou das festas. Então, com ajuda dos pais – que já tinham formado um pequeno
pecúlio para o caçula – ele foi para a cidade de São Paulo. Depois de conhecer a capital, resolveu seguir para o interior, chegando em
Garça na metade da década de 1930.
Enquanto isto, na região de Cravinhos, Odette crescia e se
divertia com os irmãos. A casa grande tinha um belo jardim na entrada e a
entrada de carro muito alta para as charretes, com uma cobertura. Assim, as
pessoas desciam na porta da casa, perto das escadas que davam para o alpendre. A
sala de estar era grande e ao seu lado havia a sala de jantar, no lado direito
ficava o escritório de João de Aguirre – sempre fechado para as crianças.Depois
vinham os quartos – em cada quarto ficavam dois filhos. O banheiro tinha água
quente, que também aquecia os quartos como ela conta: “o papai colocou
serpentina no fogão a lenha. A serpentina passava no fogão e seguia para os
quartos. Os banhos eram tomados na banheira com duas torneiras – a água fria
vindo da caixa e a água quente vindo do cano que começava na serpentina do
fogão a lenha”. Na época, as compras de roupas eram feitas por catálogo.
Sebastiana escolhia, enviava a carta e as encomendas com roupas de cama, mesa,
banho e das crianças chegavam depois pelo correio”. A chegada do Ford importado
foi marcante nos seus nove anos: “papai mandou fazer uma garagem especial,
fechada com cortinas de pano”. Ele girava a maçaneta na frente do carro para
ele pegar e Namá, Odette, Olga, Rui, Carlito e Orlandinho – os pequenos –
subiam para passear com os pais no meio dos cafezais. Quando chovia, tinha que
colocar correntes nas rodas para enfrentar os lamaçais que se transformavam as
pequenas estradas. Mas a grande aventura mesmo era ir para a escola, em
Cravinhos, com a irmã Olga...
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