quarta-feira, 8 de agosto de 2012

De professor a guarda-livros


A formatura de Ignacio foi celebrada em alto estilo. Depois da noite do baile, ele saía às noites para passear com seus dois amigos mais próximos – um deles já tinha automóvel – ­­pelas ruas de Curitiba. Para se manter, foi dar aulas de polonês, graças ao bom relacionamento que tinha com os padres do Colégio onde estudou e domínio não só do polonês como de outras línguas eslavas.  Também dava aulas de matemática e à noite concluiu um curso de ciências contábeis. Se aventurou em abrir um hotel, mas não deu certo e perdeu tudo. Durante dois a três anos, viveu em Curitiba, mas veio uma vontade de conhecer mais, de ir além das paredes do colégio ou das festas.  Então, com ajuda dos pais – que já tinham formado um pequeno pecúlio para o caçula – ele foi para a cidade de São Paulo.  Depois de conhecer a capital, resolveu seguir para o interior, chegando em Garça na metade da década de 1930.
Enquanto isto, na região de Cravinhos, Odette crescia e se divertia com os irmãos. A casa grande tinha um belo jardim na entrada e a entrada de carro muito alta para as charretes, com uma cobertura. Assim, as pessoas desciam na porta da casa, perto das escadas que davam para o alpendre. A sala de estar era grande e ao seu lado havia a sala de jantar, no lado direito ficava o escritório de João de Aguirre – sempre fechado para as crianças.Depois vinham os quartos – em cada quarto ficavam dois filhos. O banheiro tinha água quente, que também aquecia os quartos como ela conta: “o papai colocou serpentina no fogão a lenha. A serpentina passava no fogão e seguia para os quartos. Os banhos eram tomados na banheira com duas torneiras – a água fria vindo da caixa e a água quente vindo do cano que começava na serpentina do fogão a lenha”. Na época, as compras de roupas eram feitas por catálogo. Sebastiana escolhia, enviava a carta e as encomendas com roupas de cama, mesa, banho e das crianças chegavam depois pelo correio”. A chegada do Ford importado foi marcante nos seus nove anos: “papai mandou fazer uma garagem especial, fechada com cortinas de pano”. Ele girava a maçaneta na frente do carro para ele pegar e Namá, Odette, Olga, Rui, Carlito e Orlandinho – os pequenos – subiam para passear com os pais no meio dos cafezais. Quando chovia, tinha que colocar correntes nas rodas para enfrentar os lamaçais que se transformavam as pequenas estradas. Mas a grande aventura mesmo era ir para a escola, em Cravinhos, com a irmã Olga...



Nenhum comentário:

Postar um comentário