Odette e
Inacio ficam apenas alguns dias completamente sós. Logo chegam os pais de
Odette para visitá-los, apreciando o apartamento e a vida do casal. O
apartamento, ainda que fosse pequeno, abriga sempre os irmãos, irmãs e outros
parentes. Carlito, um dos irmãos mais jovens, ali almoça todo dia.
Aos
poucos, Odette vai conhecendo as lojas, o Largo do Arouche e a Praça da
República. São Paulo, naquela época, é semelhante às capitais europeias – homens
de chapéu, mulheres com vestidos um pouco abaixo dos joelhos, cinturados. No rádio, as notícias da II Guerra.
Então,
na passagem para o ano de 1943, Odette fica enjoada com a comida da ceia. Em janeiro,
vai ao dr. Barbosa - médico amigo da
família - que confirma a gravidez. Desnutrida, precisa tomar muitas vitaminas
pois – como todas as noivas – tinha feito um rígido regime para casar. Depois
de três meses, o enjoo passa e tudo fica melhor. No começo da gravidez, em
algumas noites, tinha dificuldade em dormir. Certa noite, Inácio perguntou:
–
Odette, você não está dormindo. Por que? Está com vontade de comer alguma
coisa?
-
Amanhã, quando você sair, me compra uma empadinha.
Ele se levanta,
troca de roupa e sai às três horas da manhã. No Largo do Arouche, há sempre
alguns bares abertos durante toda a noite. Logo, volta com empadinhas e carinhosamente,
as entrega:
– Agora,
Odette, você pode comer a empadinha e dormir.
E foi o
que ela fez, com muito prazer e rindo.
Para ajudar
no nascimento, Sebastiana vem de Garça, com Odila, irmã mais velha de Odette. Quando
as três estavam conversando, Odette vai ao banheiro e vem a primeira cólica.
Calma, vira para o marido:
–
Inácio, vamos para o hospital, que eu vou ter o neném.
Com as
malas que já estavam prontas, pegam um taxi para o hospital Santa Cecília, ali
perto. No ponto de táxi, tinham feito uma aposta – menino ou menina?
Logo que
chegou ao hospital, as contrações ficam mais fortes e o parto é tão rápido que
não dá tempo de avisar o dr. Barbosa. Uma parteira alemã, toda perfumada e bonita,
ajudou no nascimento da menina com cabelos negros, olhos claros e 3,5 quilos.
Quando o dr. Barbosa chegou, um baixinho com forte sotaque caipira, já entrou no
quarto perguntando:
–Uai, porque não me chamou antes? É
uma menina, como vai chamar?
– Vai se chamar Antonia, responde a jovem
mãe.
– Mas este nome não é bonito. Uma
menina tão bonita com nome de Antonia? Não gosto deste nome, respondeu
enfaticamente o médico.
– O nome é por causa de uma promessa
que eu fiz para Santo Antonio, para que se eu tivesse um marido paciente, o
primeiro filho iria se chamar Antonio ou Antonia, responde mais enfaticamente a
mãe.
Era 13
de setembro de 1943, e a menina é registrada com o nome de Antonia Maria
Miessva, o que gera uma discussão no casal, pois ela recebe apenas o sobrenome
paterno. Logo se torna a querida dos tios, em especial o tio Joãozinho, que
adora os cachinhos pretos daquela menina sorridente. Odila fica mais alguns
meses pois estava noiva e precisava de apoio para o seu casamento com Geraldo, que
era dez anos mais moço que ela, o que não era comum naqueles anos. Em uma cerimônia
simples, eles foram seus padrinhos de casamento.
Meses
depois, a mãe de Inacio, Catarina, vem do Paraná para conhecer a neta e a nora.
E é Odette que conta:
– Eu
sabia que eram polacos, que falavam pouco mas foi estranho ouvir aquela lingua
pois entre eles, só falavam polonês. Ela chegou com um lencinho preto na cabeça, acompanhada por um
dos seus genros. Quando eu a conheci, pude entender melhor o Inácio. Ele tinha
outra cultura, uma outra formação.
Além da
família, a presença de muitos amigos e amigas sempre foi constante. Uma delas é
Julia. Naquela época, ela trabalhava na Feira das Nações, uma loja de secos e molhados no Largo do
Arouche. Ela e o marido foram os padrinhos de batismo de Antonia Maria, que se tornou
conhecida como Toy.
Meses depois, um dia, Inácio olha
para sua mulher e diz com segurança:
– Odette, você está grávida!
Eu ri e respondi: Inácio, deixa de
brincar!
Na semana seguinte, fui ao dr. Barbosa
que examinou e confirmou:
– Você está grávida outra vez e vai
precisar de vitaminas para ficar forte.
Ainda bem que contavam também com Mimi,
a empregada que ajudava em casa e com os bebês, ficando naquela família três anos.
Um ano e
um mês se passaram e, em 30 de outubro de 1944, nasce a segunda filha – Vera Cecília
de Aguirre Miessva , uma ruivinha de olhos azuis e que torna-se a companheira
da irmã mais velha desde pequenina. Cada uma dormia ao lado de um dos pais. Quando
choravam de noite, Odette ficava com Antonia Maria e Inácio cuidava de Vera
Cecília. Estes laços das meninas com os pais se fortaleceram ao longo de todas
as suas vidas.
Outros amigos desde o início do casamento
eram o Elias e a Adma, e sua irmã Lenira. Elias, que era cliente do Inácio, e as
amigas Adma, Lenira e Erlite ajudaram o casal a criar as meninas. Nesta época,
havia racionamento de farinha, entre outros produtos, por causa da guerra e ninguém
tinha pão, como conta Odette:
– Lenira comprava bolacha importada
de trigo, eu passava na máquina de moer carne e virava farinha de novo e fazíamos
pão para as meninas que adoravam a “tia Lelila”.

Os rostinhos dessas irmãzinhas se repete na família. Alguém reparou o formato do rosto da Vera e o formato da Duda? e também as pernas gordinhas...e quando bebe Toy tb parecia com o rosto da Duda.
ResponderExcluirQue lindo, Lena! Cada vez melhor e hoje é dia de Santa Cecilia! Meu onomastico, q papai dizia ser mais importante q o dia do aniversário. Obrigada pelo presente! Mas morri de saudades do meu papai, da minha mamae e da minha toy!
ResponderExcluirMeninas, que bom que gostaram. Vamos em frente que temos muitas historias pela frente!
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