A primeira cena foi montada abaixo da árvore de
Natal, logo após o casamento de Odette e
Ignacio, em 1942. Era uma pequena cabana de teto de cipó com os personagens
principais da cena do nascimento de Jesus. Com orgulho, Odette aprendeu um costume
polonês que existia tanto na casa de Ignácio no Paraná quanto na de seus avós, na
Polônia. No Paraná, ainda hoje o presépio é montado embaixo da árvore de Natal,
com musgo retirado perto das araucárias – ou de outras árvores pois as
araucárias diminuíram drasticamente nestes dois últimos séculos.
Pouco a pouco, na casa dos Miessva, mais peças foram
introduzidas no presépio e mais pessoas envolveram-se com a montagem. As peças
eram compradas na Casa do Ceilão, no centro de São Paulo, que importava tudo o
que se podia desejar para o Natal. Eram vendidas em separado – carneiros,
porcos, porta de Belém, guardas, vendedores, pescadores, galinhas, peixes,
patos, pontes...
Na década de 1970, o presépio tinha quase 300
peças! Mas, assim como na realidade, uma tragédia abateu-se na cidade em
miniatura de Belém – que ficava guardada durante o ano em uma caixa abaixo da
escada. A enchente no bairro paulistano do Brooklin em 1975 inundou a casa da
rua George Ohm e chegou até o terceiro degrau da escada. Ainda que rapidamente
resgatado, a água já tinha atingido carneiros, cabras, pessoinhas... mais de 100
personagens foram perdidos. No ano seguinte, mais peças foram compradas, mas não tão perfeitas como as de antigamente, e renovaram o
cenário. Algumas passaram a ser identificadas com pessoas da família como os
dois pescadores – Anary e Chiquito – cunhado e irmão mais velho de Odette. Outros
amigos, a cada ano, sempre trouxeram algo para o presépio, que voltou a ocupar uma mesa da sala. A nova casa de Jesus e Maria foi feita pelo genro Luiz Carlos, com
capricho e até hoje é o ponto alto da cena.
Mesmo com a tecnologia digital entrando na vida das
pessoas, a tradição ainda se mantém, como ensinada por Odette. Sua bisneta Luisa
ajuda a tia-avó Lena a montar o presépio anualmente na casa de Vera Cecília. A neta Paola,
que mora na Itália, traz todo ano personagens belos e inquebráveis. A outra neta Anna se diverte com os comentários em volta da arrumação. E, em 2012,
a bisneta Catarina, com seus cinco anos e meio ajudou a colocar as peças,
observada em alguns momentos pela irmã menor Marina, que, com três anos e meio, começa a ser integrada na tradição. Tudo regado a um
bom café e um pedaço de panetone!
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