Ser sócio do Esporte Clube Pinheiros foi um divisor de águas na nossa
casa. Eu e Rosely íamos de bicicleta, eu na garupa e ela driblando carros nas
ruas do bairro, passando na ponte estreitinha – que chamávamos de pinguela – em
cima do córrego para depois pegar a Rua Joaquim Floriano até a Tabapuã. Nos
domingos, papai ia fazer sauna enquanto ficávamos na piscina. Almoçávamos lá e eu
fiquei fã da biblioteca, quando aprendi a gostar de Agatha Christie e livros de
suspense. Às vezes levava dois livros no sábado e já devolvia um no domingo.
Foi no Clube Pinheiros que Toy e Vera conheceram seus namorados Peter e Enrico.
Na mesma época, outro acontecimento também mudou nossas vidas – a chegada
de um carro em casa, mais especificamente da Kombi! Mamãe já dirigia havia três
meses – como não tinha carro, ela passeava com o carro da autoescola no Parque
do Ibirapuera. Eu fui algumas vezes nas aulas e era divertido ver ela compenetrada
em fazer as manobras e estacionar direitinho nas vagas, sem derrubar as balizas.
Então, tio Zuza arrumou uma Kombi – com um pequenino problema... os freios não estavam
bons, o que foi descoberto quando fomos todos nós seis mais algumas amigas das
meninas para Santos . Como o carro não respondeu totalmente ao freio, a mamãe segurou
a tal Kombi na marcha e no muque! Aí tivemos o acidente da Kombi contra um
bonde. Mamãe estava dirigindo e no carro estávamos eu, Vera e os amigos Edna e
Edson. O motorneiro do bonde ficou
confuso, avançou um sinal, não deu tempo e, quando vimos, ele entrou direto no
carro. Por sorte, ninguém saiu muito ferido, além do joelho machucado da Vera. Logo
depois, papai comprou o azul Aero Wyllis 1962.
A Toy começou a trabalhar na Kibon – o paraíso para nós! Ela fez os testes para secretária e deu a notícia
por telefone para mamãe, que trabalhava algumas horas por dia no escritório:
- Mamãe, passei nos testes! E vou poder levar bastante sorvete para
casa!
Quinze dias depois, ela trouxe três latas de sorvete. Mamãe estava
chegando a pé do escritório e avistou de longe um grupo de crianças em frente
de casa. Ali, usando o muro como apoio, eu e a Toy distribuíamos sorvete para
todos que moravam perto. Mas o que fazia sucesso mesmo era a distribuição do picolé
chica bom e mais ainda quando ela trazia tortas de sorvete embaladas com gelo
seco, que eu colocava na água para ver a fumaça branca.
Surpresa no Baile de Aleluia
O Clube Pinheiros também foi uma mudança na vida da Rosely – que fez
novas amizades ali. Uma delas era a Sueli, uma amiga altíssima e que mergulhava
comigo em uma das piscinas menores brincando de golfinho. Em um dos bailes de Aleluia que antecediam a
Páscoa, meus pais e os pais da Sueli ‘reservaram uma mesa’ – pagaram por uma
mesa e quatro lugares para ter um lugar para sentar durante a noite toda, tomando
refrigerante ou cerveja e comendo salgadinhos. Papai tinha ficado em casa
comigo. E então mamãe e a dna. Maria Amélia, mãe da Sueli, estavam ali sentadas
conversando quando viram o Peter, que na época estava namorando a Sueli, passar
de mãos dadas com a Toy, sorrindo para ela que olhava com aqueles olhos claros
e sorria de forma tímida (algo que ela não era mesmo). Aí Odette olhou desconcertada
para a amiga Maria Amélia, que calmamente disse:
- Odette, a gente a gente não viu nada, não vamos falar
nada e não perguntar nada. Isto é o melhor a fazer, pois o assunto é com eles e
não tem nada a ver com nossa amizade.
Na mesma época, a Vera conheceu também o Enrico. Só
que ela entendeu que o nome dele era Pascoal. E certo dia ficou chamando-o por
este nome e, claro, ele não respondeu. Aí quando o encontrou, questionou
porque ele não tinha conversado com ela no outro dia e ele tranquilamente, respondeu:
Mas meu nome não é Pascoal, é Enrico.
Eles
começaram a jogar tênis juntos. Certo domingo, Vera mostrou aquele jovem esbelto, magro, de cabelo curto e sorriso
aberto para mamãe, que respondeu na hora:
-
Mas, ele é muito criança, Vera!
Vera
riu divertidamente, respondendo:
- Ah,
mãe. Ele parece criança, mas não é. É até mais velho que eu! (um ano a mais, na
verdade).
O Clube
também reservou a boa surpresa para Odette ao encontrar o velho amigo Armando,
que era sócio também e ali jogava bocha. E durante décadas, eles sempre se
encontravam ali, para conversar durante horas nos bancos espalhados pelo Clube.
E
assim se passaram os anos de namoro das meninas mais velhas – foram quatro a cinco
anos de festas no Clube, lanches aos sábados – quando o primo Fernando ia
contar detalhadamente os filmes que assistia – e jantares uma vez por semana com
a presença do Enrico. Até que, no Natal de 1966, logo depois da prece, o Peter pediu
para falar algumas palavras. Todos acharam que seria mais uma prece. Ele ficou
sério e disse:
- Sr. Ignácio e dna. Odete, eu peço licença
para ficar noivo da Toy.
Todo
mundo ficou emocionado e surpreso. Papai ficou mudo. Então, o Peter colocou a aliança na mão direita da Toy, que não pode fazer o mesmo, pois a
aliança dele não tinha ficado pronta!
No
dia seguinte, Odette ligou para os sobrinhos e a festa continuou, com a família
reunida para celebrar o noivado. Na semana seguinte, foi o almoço para a
família do Peter, com a presença de sua avó – conhecida como Oma Oma, que disse
estar muito contente com a escolha do neto.
Então,
no início de janeiro, começaram os preparativos para o primeiro casamento na
minha família.
Minha querida irmazinha....vc esta indo rapido agora mas certinha! É um prazer enorme ler seu blog...e pensar q Enrico tem só um ano a mais é super interessante!
ResponderExcluirParabens...e vc tem muitos anos ainda!